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Looks coloridos e autoestima: influenciadora transforma rotina de visitas em conteúdo sobre moda penitenciária

redacao by redacao
agosto 8, 2026
in Últimas Notícias
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Looks coloridos e autoestima: influenciadora transforma rotina de visitas em conteúdo sobre moda penitenciária
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Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP
Reprodução/Redes socias
A rotina de quem visita familiares em penitenciárias vai muito além das longas viagens e da espera. As regras rígidas de vestimenta acabaram criando um mercado especializado em roupas para visitantes e até uma comunidade nas redes sociais, onde mulheres compartilham experiências, dicas e formas de enfrentar um cotidiano marcado pelo preconceito.
A influenciadora Gaby Martins, de 21 anos, moradora do interior de São Paulo, visita o companheiro preso há dois anos. Ela já publicava vídeos sobre seu trabalho com extensão de cílios, e, de início, não planejava compartilhar a rotina no presídio. Hoje, um dos assuntos que mais chama a atenção no perfil da influenciadora é justamente a chamada moda penitenciária.
“Quando eu comecei a visitar, eu falei: ‘Eu nunca vou postar isso, que vergonha’. E aí, querendo ou não, todo mundo já sabia, todo mundo já via. E foi onde eu comecei a postar para distrair um pouco”.
Gaby passou a compartilhar a rotina de visitas, desde a preparação da comida e da mala, até a escolha dos looks usados no grande dia. O que começou como uma forma de distração se transformou em uma rede de apoio para mulheres que vivem a mesma realidade. Ela também mostra a filha de 1 ano e meio nas publicações e costuma combinar as roupas das duas para os dias de visita.
👚 Mas o que há de tão diferente na moda penitenciária? Criadas a partir das regras de entrada nos presídios, as roupas precisam seguir uma série de restrições de cores e modelos. Com poucas opções permitidas, visitantes passaram a transformar peças básicas em combinações estilosas e que favorecem a autoestima.
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O resgate da autoestima
Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP
Reprodução/Redes socias
A cada 15 dias, Gaby viaja cerca de cinco horas de Campinas (SP) até Balbinos (SP) para ver o companheiro na penitenciária. A preparação exige esforço e começa com dias de antecedência. “A minha visita é no domingo, por exemplo. Aí, na sexta-feira, eu já vou ao mercado, deixo tudo separado. No sábado eu já começo cedo a fazer comida, fazer doce, arrumar mala”, detalha.
Rotina que ela decidiu postar. No início, recebeu críticas, principalmente por estar grávida, mas, depois, as publicações a ajudaram a se conectar com mulheres que viviam as mesmas experiências. “Comecei a receber mensagem de outras meninas do tipo: ‘Nossa, Gabi, eu também tô grávida, eu também tô visitando, e eu vejo seus vídeos, querendo ou não, já alegra meu dia”, relembra.
Foi nesse contexto que a moda passou a ganhar espaço no conteúdo compartilhado por ela. Devido à rotina exaustiva de trabalho e viagens, a influenciadora conta que raramente comprava roupas novas. A perspectiva mudou quando uma loja especializada, focada em moda penitenciária, entrou em contato e enviou algumas peças de presente.
Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP
Reprodução/Redes socias
“Você põe a peça e fala: ‘Nossa, que roupa linda!’. No começo, a gente fica com vergonha de usar uma legging e um camisetão. Mas aí, com o tempo, você vai olhando as cores… Por conta da regra da [Secretaria da Administração Penitenciária – SAP], tem que ser legging colorida e camisetão”, explica.
Usar peças combinando tornou-se um incentivo. “Nessa visita eu tenho um look novo, um chinelo novo para combinar’. Aí eu pinto a unha da cor da roupa […] A gente está indo ver nosso familiar, já está feliz.” Ela compara a empolgação com a de quem compra roupas para malhar. “Todo mundo fala que um pré-treino de academia é um lookinho novo. E para a visita é um lookinho novo também”, brinca.
A escolha das roupas também virou um momento compartilhado com a filha. Quando leva a menina de 1 ano e meio às visitas, Gaby aproveita para vestir a criança com peças iguais às suas. “Eu falo para a loja que ela vai, aí mandam uma roupa combinando para a gente. Manda um moletom, a bolsa. Tem cadeia que a bolsa pode ir combinando com a cor da roupa também”, diz.
Nos posts nas redes sociais, Gaby sempre aparece com o conjunto comum às visitantes:
calça legging e camisetão com cores combinando, como um conjunto;
chinelos no mesmo tom;
cabelo escovado, maquiagem e unhas bem feitas;
mala transparente com as refeições e guloseimas que ficarão com o companheiro.
Loja especializada
Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP
Reprodução/Redes socias
Com familiares e amigos que já estiveram privados de liberdade, a moradora de Indaiatuba (SP), Sandy Lima, decidiu abrir a sua própria loja virtual de moda penitenciária aos 25 anos, após diversos pedidos. Ela vem de uma família com mais de 30 anos de experiência no comércio.
A ideia do negócio surgiu durante os cinco anos em que trabalhou com o pai, ao perceber a alta procura por peças adequadas para as revistas prisionais. Atualmente, ela usa o espaço da loja do irmão para expor alguns de seus produtos.
“[Recebia] perguntas se tinha roupa de visita ou se tinha roupa de preso, porque muita gente hoje em dia visita e tem uma certa dificuldade de encontrar essas roupas. São muitas regras, muitas coisas, e daí eu comecei a pensar, eu falei: ‘ah, será que vai dar certo?'”, conta
No início, as vendas eram voltadas para as clientes das lojas em que ela já trabalhava, mas ela também encontrou motivação em experiências pessoais. “Também tenho parentes, tenho conhecidos que estão presos e que muitos familiares meus não conseguem achar certas cores de roupa […] Daí, por conta disso, eu também decidi montar a loja”, diz.
Cores e regras
Comércio no entorno de presídio masculino se ‘especializa’ em visitantes mulheres
Apesar de ter o negócio há pouco tempo, Sandy diz que aprende diariamente com as clientes, pois as normas variam conforme a região. “Aqui no estado de São Paulo, é caqui e branco que os presos usam. Mas em outro estado tem laranja, amarelo, outras cores. Depois que eu entrei nesse ramo, estou conhecendo coisas novas. Estou aprendendo junto”, explica.
De modo geral, as visitantes são proibidas de usar branco e caqui, para não confundir com o uniforme dos detentos, além de preto e azul-marinho, que são as cores dos uniformes dos agentes penitenciários. Roupas com estampas ou desenhos grandes também costumam ser barradas. Para evitar problemas na entrada, as peças lisas são a escolha segura.
Segundo Sandy, as cores mais vendidas em sua loja são o rosa e o azul. Mais do que atenderem às normas da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), elas também ajudam a elevar a confiança das mulheres que visitam. A comerciante ressalta que sentir-se bem vestida é fundamental para suportar o drama do ambiente prisional.
“Porque, se a gente não tá bem consigo mesma, como que a gente vai estar bem para outras pessoas?”, questiona. “A autoestima vai lá em cima, porque a gente já está num lugar pesado. É um lugar em que a gente tem que se sentir bem”, afirma a comerciante.
‘Ninguém gosta dessa vida’
Apesar do tom descontraído nas redes sociais, Gaby enfatiza que a realidade das famílias é dolorosa, e diz que as brincadeiras e memes na internet são um mecanismo de defesa para deixar o momento mais leve. “A gente se ajuda, conversa bastante. Acho que todas as meninas que visitam são bem amigas. Mas, na realidade, isso aqui é só internet mesmo”, pondera.
“Ninguém gosta dessa vida. É uma vida muito triste, tanto para quem está lá dentro quanto para a gente que está aqui fora. […] Comentam bastante nos meus vídeos ‘se continuar do jeito que está, vai voltar porque está muito fácil’, mas é só uma comida que a gente leva”, relata, emocionada.
Sandy concorda que a sociedade costuma julgar as visitantes, mas defende o direito à dignidade. “Só quem passa, quem vive realmente, vai entender. Eu creio, eu acho que, independentemente se a pessoa errou, deixou de errar, não tem o direito de passar vontade de comer alguma coisa ou de ter necessidade de uma pasta de dente, um sabonete, finaliza”.
*Estagiária sob supervisão de Yasmin Castro.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/08/08/looks-coloridos-e-autoestima-influenciadora-transforma-rotina-de-visitas-em-conteudo-sobre-moda-penitenciaria.ghtml

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